O câncer infantil

Corresponde a um grupo de várias doenças que têm em comum a proliferação descontrolada de células anormais e que pode ocorrer em qualquer local do organismo. Os tumores mais frequentes na infância e na adolescência são as leucemias (que afeta os glóbulos brancos), os do sistema nervoso central e linfomas (sistema linfático).

Também acometem crianças e adolescentes o neuroblastoma (tumor de células do sistema nervoso periférico, frequentemente de localização abdominal), tumor de Wilms (tipo de tumor renal), retinoblastoma (afeta a retina, fundo do olho), tumor germinativo (das células que vão dar origem aos ovários ou aos testículos), osteossarcoma (tumor ósseo) e sarcomas (tumores de partes moles).

Assim como em países desenvolvidos, no Brasil, o câncer já representa a primeira causa de morte por doença entre crianças e adolescentes de 1 a 19 anos, para todas as regiões.

 

Prevenção e Detecção Precoce

Nos tumores da infância e adolescência, até o momento, não existem evidências científicas que deixem claro a associação entre a doença e fatores ambientais. Logo, prevenção é um desafio para o futuro. A ênfase atual deve ser dada ao diagnóstico precoce e orientação terapêutica de qualidade. 
(fonte inca http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/tiposdecancer/site/home/infantil )

 

Tratamento

Diferentemente do câncer do adulto, o câncer infanto-juvenil geralmente afeta as células do sistema sanguíneo e os tecidos de sustentação. Por serem predominantemente de natureza embrionária, tumores na criança e no adolescente são constituídos de células indiferenciadas, o que, geralmente, proporciona melhor resposta aos tratamentos atuais.

O tratamento do câncer começa com o diagnóstico correto. Para isso, é necessário um laboratório confiável e o estudo de imagens. Pela sua complexidade, o tratamento deve ser feito em centro especializado. Compreende três modalidades principais (quimioterapia, cirurgia e radioterapia), sendo aplicado de forma racional e individualizada para cada tumor específico e de acordo com a extensão da doença.

O trabalho coordenado de vários especialistas (oncologistas pediatras, cirurgiões pediatras, radioterapeutas, patologistas, radiologistas, enfermeiros, assistentes sociais, psicólogos, nutricionistas, farmacêuticos) também é determinante para o sucesso do tratamento.

Tão importante quanto o tratamento do câncer em si, é a atenção dada aos aspectos sociais da doença, uma vez que a criança e o adolescente doentes devem receber atenção integral, no seu contexto familiar. A cura não deve se basear somente na recuperação biológica, mas também no bem-estar e na qualidade de vida do paciente.

Neste sentido, não deve faltar  ao paciente e à sua família,  desde o início do tratamento, o suporte psicossocial necessário.

 

Sintomas

Os pais devem estar alertas para o fato de que a criança não inventa sintomas. Ao sinal de alguma anormalidade, levem seus filhos ao pediatra para avaliação. Na maioria das vezes, os sintomas estão relacionados a doenças comuns na infância, mas isto não deve ser motivo para descartar a visita ao médico.

A manifestação clínica dos tumores infanto-juvenis pode não diferir muito de doenças benignas (sem maior gravidade) comuns nessa faixa etária. Muitas vezes, a criança ou o jovem está em razoáveis condições de saúde no início da doença. Por esse motivo, o conhecimento do médico sobre a possibilidade da doença é fundamental.

Conheça algumas formas de apresentação dos tumores da infância:

  • Nas leucemias, pela invasão da medula óssea por células anormais, a criança se torna mais sujeita a infecções, pode ficar pálida, ter sangramentos e sentir dores ósseas.
  • No retinoblastoma, um sinal importante é o chamado "reflexo do olho do gato", embranquecimento da pupila quando exposta à luz. Pode se apresentar, também, através de fotofobia (sensibilidade exagerada à luz) ou estrabismo (olhar vesgo). Geralmente, acomete crianças antes dos 3 anos. Atualmente, a pesquisa desse reflexo pode ser feita desde a fase de recém-nascido.
  • Aumento do volume ou surgimento de massa no abdômen pode ser sintoma de tumor de Wilms (que afeta os rins) ou neuroblastoma.
  • Tumores sólidos podem se manifestar pela formação de massa, visível ou não, e causar dor nos membros. Esse sintoma é frequente, por exemplo, no osteossarcoma (tumor no osso em crescimento), mais comum em adolescentes.
  • No retinoblastoma, um sinal importante é o chamado "reflexo do olho do gato", embranquecimento da pupila quando exposta à luz. Pode se apresentar, também, através de fotofobia (sensibilidade exagerada à luz) ou estrabismo (olhar vesgo). Geralmente, acomete crianças antes dos 3 anos. Atualmente, a pesquisa desse reflexo pode ser feita desde a fase de recém-nascido.
  • Aumento do volume ou surgimento de massa no abdômen pode ser sintoma de tumor de Wilms (que afeta os rins) ou neuroblastoma.
  • Tumores sólidos podem se manifestar pela formação de massa, visível ou não, e causar dor nos membros. Esse sintoma é frequente, por exemplo, no osteossarcoma (tumor no osso em crescimento), mais comum em adolescentes.
  • Tumor de sistema nervoso central tem como sintomas dores de cabeça, vômitos, alterações motoras, alterações de comportamento e paralisia de nervos.

 

Diagnóstico

Muias crianças e adolescentes com câncer chegam ao centro especializado de tratamento com a doença em estágio avançado por diversos fatores: desinformação dos pais, medo do diagnóstico de câncer, desinformação dos médicos.

Algumas vezes o diagnóstico é feito tardiamente porque a apresentação clínica as características de determinado tipo de tumor pode não diferir muito de doenças comuns na infância. Por isso, o conhecimento do pediatra acerca do câncer é determinante para um diagnóstico seguro e rápido.

Fonte: http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/tiposdecancer/site/home/infantil/

Material interessante, relacionado ao paciente, quando ele chega ao inca quais são os procedimentos q devem ser tomados

http://www.inca.gov.br/publicacoes/inca_com_seu_filho.pdf

 

 

Por Dr.ª Lucília Norton

lucilianorton@netcabo.pt

www.oncologiapediatrica.org/index.php?site/ver_artigo/201

Conselho aos pais:

Febre
As complicações infecciosas são uma importante causa de morbilidade e mortalidade em crianças com cancro. Múltiplos factores podem estar implicados, nomeadamente a imunossupressão associada com a própria doença e o tratamento, a rotura das barreiras naturais, como pele e mucosas, a presença de Cateteres Venosos Centrais (CVC), a malnutrição. No entanto, o principal factor é, indubitavelmente, a neutropenia, sobretudo quando esta é profunda e prolongada.
Os agentes causadores mais frequentes são as bactérias. As infecções fúngicas são comuns sobretudo em doentes com neutropenias prolongadas e que necessitam de tratamento com antibióticos. As infecções por vírus ocorrem com mais frequência em doentes muito imunodeprimidos, especialmente os que são submetidos a transplantação de medula óssea.

A fonte de infecção pode não ser aparente na criança neutropénica com cancro. A diminuição do número dos glóbulos brancos, dificulta a resposta inflamatória, o que pode impedir que surjam sinais de celulite na infecção cutânea, alterações visíveis no exame radiológico, na infecção pulmonar, aumento do número de células no líquido cefalo-raquidiano na meningite ou de glóbulos brancos na urina, na infecção urinária. 
É crucial que, prontamente, seja efectuada uma correcta avaliação clínica e laboratorial e seja instituída antibioterapia empírica apropriada.

Deve saber que se define febre como:
temperatura ≥ (maior ou igual a) 38,5ºC numa só determinação
temperatura ≥ (maior ou igual a) 38ºC em duas determinações num período de 12 horas, ou sustentada durante 1 hora. 
Normalmente o médico informá-lo-á se, nas análises efectuadas, se verifica neutropenia (contagem absoluta de neutrófilos menor que 500/mm3), embora possa acontecer que esta se instale após a última consulta. 
Sempre que o seu filho tenha febre com as características acima assinaladas, deve de imediato contactar o Serviço e dirigir-se ao mesmo para que seja efectuada avaliação clínica e iniciados antibióticos endovenosos em internamento, se se confirmar a neutropenia, ou o Pediatra o entender necessário.

Contágios

À menor dúvida de contágio com doente com varicela ou sarampo é necessário prevenir o médico de serviço imediatamente, que tomará as medidas necessárias.

Família

Os pais e irmãos não devem modificar o seu comportamento. Não utilizar máscaras em casa.

Em caso de resfriado evitar os contactos próximos.

A lavagem cuidada das mãos é a medida mais importante, quer no contacto com a criança, quer na preparação da alimentação.

Higiene da criança

Lavagem frequente das mãos com água e sabão neutro; atenção aos espaços interdigitais e unhas que devem ser cortadas.

Banho ducha diário. Cuidado com os Cateteres tipo Hickman (exteriorizados), evitar molhá-los.

Não utilizar cotonetes.

Cuidados orais

Os dentes devem ser escovados no fim das refeições e antes de dormir. Aconselha-se um dentífrico com flúor. Nas crianças com menos de 6 anos, a pasta deve ser infantil, porque tem um teor menor de flúor do que a dos adultos. Usar escova suave adaptada ao tamanho da boca da criança. A escovagem deve fazer-se com movimentos suaves em todas as faces dos dentes. Uma higiene correcta demora, pelo menos, 2 minutos. Depois de usada, a escova deve ser mergulhada em solução de clorhexidina por alguns minutos e guardada seca.

Em períodos de mucosite, se a boca está ferida ou se as plaquetas e os glóbulos brancos estiverem baixos, usar escova ultra-macia ou pós-operatória (de venda nas farmácias). Passar previamente a escova em água tépida para a amaciar. Se a pasta causar ardência, escovar só com a escova húmida e bochechar com o colutório fornecido pelo Serviço de Pediatria.

Pode bochechar várias vezes por dia com água com sal ou com bicarbonato, passando a seguir a boca por água simples. Para isso, dissolver uma colher de chá de sal num litro de água ou uma colher de chá de bicarbonato num copo de água.

Cateter Venoso Central

Se a criança for portadora de cateter tipo Hickman é proibido o banho de imersão. Se o penso descolar não deve refazê-lo em casa. Até recorrer ao hospital para a Enfermeira o refazer, pode colocar penso transparente para cateter. Neste tipo de CVC, o penso deve ser feito uma vez por semana. Os cateteres Implantofix (subcutâneos) deverão ser testados e heparinizados pelo menos uma vez por mês.

Em caso de acidente de que resulte a rotura do CVC, dobrar o cateter e fixá-lo com um fio e recorrer de imediato ao Serviço.

Medicamentos

A aspirina, os anti-inflamatórios não esteróides e os supositórios são fortemente contra-indicados.

Ser-lhe-á explicada, com clareza, como deve ser tomados os medicamentos. No entanto, se tiver dúvidas não hesite em contactar, preferencialmente o médico assistente ou, na sua ausência, o que estiver de serviço.

Ambiente

Os animais domésticos não têm que ser retirados de casa, mas deve evitar-se o contacto próximo com a criança. Esta deve ter um quarto que seja facilmente limpo e onde não haja acumulação de pó. É conveniente retirar os peluches, cortinados, alcatifas felpudas e tapetes grossos.

Deve dar-se preferência a edredões que não sejam de penas.

Nos períodos em que não estiver neutropénica, a criança pode sair de casa para passear, por exemplo no parque, mas evitar sempre aglomerados (transportes públicos, hipermercados).

Escola

O ritmo de tratamento é, por vezes incompatível com uma escolaridade normal. A equipa docente do Serviço tomará a seu cargo o estabelecimento dos contactos com a Escola, que garantam o destacamento de um professor para apoio domiciliário ou outra forma de apoio (vídeo-conferência, por exemplo).

Fora dos períodos de neutropenia, a criança pode ir à escola ver os seus amigos ou mesmo permanecer aí por curtos períodos. Os colegas podem visitá-lo, salvo se estiverem doentes.

 

Por Dr.ª Laura Ribeiro
Nutricionista do Serviço de Nutrição e Alimentação do IPO-Porto Francisco Gentil

 laura.ribeiro@ipoporto.min-saude.pt

www.oncologiapediatrica.org/index.php?/site/ver_artigo/199

A Importância da Alimentação

A alimentação desempenha um papel fundamental na nossa saúde e bem estar, uma vez que fornece ao organismo a energia e os nutrimentos necessários para o seu correcto funcionamento e crescimento.

Quando a doença surge, muitas dúvidas se colocam acerca da alimentação e muitos receios se instalam. Surgem questões como: existe alguma dieta específica, pode-se comer de todos os alimentos ou há alguns que devem ser preferidos e outros que devem ser evitados?

Na realidade, não existe uma dieta tipo, mas torna-se importante garantir uma ingestão alimentar adequada e equilibrada, tendo em atenção a situação específica de cada criança/adolescente. Assim, o principal objectivo é assegurar uma alimentação quantitativa e qualitativamente adequada, ou seja, com as quantidades e tipos de alimentos que contenham os nutrimentos necessários não só em quantidade mas também em qualidade.

Em suma, as crianças e adolescentes com doença oncológica devem fazer uma alimentação semelhante à de outras crianças/adolescentes da mesma idade, adequada às suas necessidades, variada e agradável.

A importância da alimentação na doença oncológica traduz-se numa série de efeitos benéficos, ao longo das várias fases do tratamento, e pretende de uma forma global:

  • Manter um adequado crescimento e desenvolvimento.
  • Recuperar ou evitar a perda de peso.
  • Melhorar a resposta aos tratamentos, e reduzir os seus efeitos.
  • Melhorar a capacidade e rapidez de recuperação do organismo.
  • Contribuir para uma melhor qualidade de vida.

 

Alimentos e nutrimentos – O que são?

Desde o nascimento, todo o nosso organismo se vai construindo, crescendo e transformando devido à acção dos alimentos que consumimos e que fornecem um conjunto de materiais e substâncias imprescindíveis ao funcionamento orgânico.

Torna-se por isso fundamental, fazer uma alimentação equilibrada e importa conhecer a composição dos alimentos, os diferentes tipos de nutrimentos e as suas funções.

Existem sete grupos de nutrimentos, todos eles importantes e cada um com funções específicas:

1. As proteínas

Características:
Desempenham um papel fundamental na estrutura e função das células e são os materiais construtores do organismo. São essenciais para o crescimento e reparação dos tecidos do corpo e desempenham um papel importante na luta contra a infecção. São também fonte de energia.
As crianças com doença oncológica devem fazer uma ingestão proteica adequada para ajudar a recuperação do organismo após os tratamentos. Quando esta ingestão é inferior à necessária, verifica-se diminuição da capacidade de cicatrização e maior vulnerabilidade às infecções.

Principais fontes alimentares:
- Carne, peixe, ovos e lacticínios
- Leguminosas secas (feijão, grão, fava, ervilha, lentilha)

 

2. Os Hidratos de carbono:
Características:
São os principais fornecedores de energia para as actividades diárias do organismo e contribuem com cerca de metade da energia fornecida pela alimentação.
Na doença oncológica as necessidades de energia estão aumentadas devido aos processos de recuperação e crescimento.

Principais fontes alimentares:
- Pão, flocos de cereais, bolachas 
- Arroz, massas, batatas
- Leguminosas secas
- Frutos
- Açúcar, marmelada, compotas,
- Bolos e produtos açucarados

 

3. As gorduras
Características: 
São também uma fonte importante de energia, possuindo a particularidade de transportar consigo algumas vitaminas importantes.

Principais fontes alimentares:
- Manteiga, queijo, leite, natas
- Azeite, óleos vegetais
- Carne, peixe

 

4. As vitaminas e os minerais
Características:
Não fornecem energia, mas intervêm num conjunto de reacções e processos orgânicos indispensáveis à manutenção do equilíbrio do organismo. São importantes para a conservação e renovação dos tecidos.
Quando a alimentação é variada e equilibrada o organismo obtém todas as vitaminas e minerais de que necessita, mas quando o apetite diminui e a ingestão é insuficiente, pode ser necessário fornecer suplementos vitamínicos e minerais.

 

5. Fibras
Características:
Não fornecem energia, não são digeridas , mas têm a função importante de regular o funcionamento do tubo digestivo.

Principais fontes alimentares:
- Cereais integrais, frutos
- Legumes frescos e leguminosas secas

 

6. Água
Características:
É o principal constituinte do nosso corpo e corresponde a mais de metade do peso corporal.
É fundamental para a realização de muitas reacções orgânicas, contribuindo para o bom funcionamento do organismo.
Por isso, é importante, assegurar uma ingestão adequada de água, e evitar a desidratação, quando as perdas estão aumentadas (p.ex. em situação de vómitos e diarreia).